Mulheres rurais, agroecologia e Covid-19

A importância da promoção dos direitos das mulheres rurais tem vindo a ser recomendada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) que admite que a eliminação das desigualdades de género na agricultura traria benefícios significativos quer para o sector agrícola (pois tendo as mesmas condições de acesso aos recursos produtivos que os homens, elas conseguiriam aumentar até 30% o rendimento das suas explorações), quer para a sociedade como um todo (2011). Todavia, e de acordo com o último relatório da mesma organização – “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo” de 2019 – ainda que as mulheres sejam as maiores responsáveis pela produção de alimentos e pela alimentação das suas famílias nos países africanos da CPLP, em comparação aos homens elas mantêm-se mais suscetíveis à insegurança alimentar.  

Diante desse cenário, em que as mulheres assumem um papel central na promoção da agroecologia, enquanto guardiãs de sementes e de sistemas alimentares sustentáveis, urge criar novos espaços de intercâmbios de boas práticas e de construção de capacidades e empoderamento sobre os direitos das mulheres rurais e valorização do seu protagonismo enquanto agentes de desenvolvimento socioeconómico, particularmente na área alimentar. 

Este tema assume particular importância num momento em que enfrentamos a pandemia Covid-19 e em que as principais respostas imediatas de pessoas, comunidades e grupos constituintes deverão ser enquadradas em dois pilares centrais: ações de solidariedade e ações de resiliência. Tais ações deverão responder ao imprescindível fortalecimento de sistemas alimentares locais, os mais resilientes em tempos de crise, conforme temos comprovado na resposta à Covid-19. 

A presente sessão é uma iniciativa do IFOAM – Organics International, no quadro da formação sobre “liderança em agroecologia e agricultura biológica”, apoiada pelo OM4D e Agro Eco Louis Bolk Institute, em parceria com o projeto PAS-STP – Políticas Alimentares Sustentáveis em São Tomé e Príncipe, cofinanciado pela União Europeia e Instituto Camões, implementado pela ADAPPA, IMVF e ACTUAR, a Plataforma Alimenta CPLP! e a Rede das Margaridas da CPLP. 

Data e Hora

26 de junho

14:00-16:00
(hora de Lisboa)

Local

Webinar Online

*É necessário inscrever-se, inserindo nome, sobrenome e email no formulário;

*Em São Tomé, as companheiras poderão deslocar-se ao Centro de Recursos da ADAPPA, em Mesquita, onde terão acesso às condições tecnológicas necessárias para participar nas ações virtuais. 

Convidadas:

Joana Rocha Dias (ACTUAR / Rede das Margaridas da CPLP) –
Doutora em Governação, Conhecimento e Inovação pela Universidade de Coimbra (Centro de Estudos Sociais) e Mestre em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade – Estudos Internacionais Comparados pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A partir da ONGD ACTUAR – Associação para a Cooperação e o Desenvolvimento, coordena pedagógica e tecnicamente o projeto Políticas Alimentares Sustentáveis em São Tomé e Príncipe e pertence à Rede das Margaridas da CPLP. É, desde 2017, membro eleito do Comité de Coordenação do Mecanismo da Sociedade Civil no Comité Global para a Segurança Alimentar (CSA).

Karine David (Pro Nobis Agroflorestal, Rede Evovida, AOPA) –
A
gricultora agroflorestal, feirante, economista graduada pela Universidade Estadual de Londrina – UEL, Coordenadora do Núcleo da Região Metropolitana de Curitiba da Rede Ecovida e uma das mulheres que compõe a diretoria 100% feminina da AOPA – Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia. Sócia proprietária da ProNobis Agroflorestal, atua no design, implantação, manejo de sistemas agroflorestais agroecológicos orgânicos, assim como nos processos de colheita e comercialização dos produtos oriundos dos diversos sistemas. Membra do Fórum Brasileiro de Sistemas Participativos de Garantia e da Câmara Técnica de Produção Orgânica do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

Faciltadora:

Flávia Moura e Castro (IFOAM – Organics International) –
Coordenadora Sênior na IFOAM – Organics International, onde atua desde 2010 em projetos de cooperação internacional para o desenvolvimento, com foco em políticas públicas para a SAN, agricultura familiar e promoção de sistemas participativos de garantia (SPG). Atualmente, coordena a segunda edição em português do curso de formação em Liderança para a Agroecologia e Agricultura Biológica, implementada em São Tomé e Príncipe, pelo projeto Organic Markets for Development (OM4D).

Parceiros:

IFOAM – Organics International
Fundada em 1972, a IFOAM – Organics International é uma organização baseada em membros que trabalha para trazer a verdadeira sustentabilidade à agricultura em todo o mundo. Promove a construção de capacidades para facilitar a transição dos agricultores para a agricultura biológica e agroecológica, conscientizando sobre a necessidade de produção e consumo sustentáveis e defendendo um ambiente político propício às práticas agrícolas agroecológicas e ao desenvolvimento sustentável.

A IFOAM – Organics International encontra-se a promover a segunda edição em português do curso de formação em Liderança para a Agroecologia e Agricultura Biológica, implementada em Sao Tomé e Príncipe, pelo projeto Organic Markets for Development (OM4D).

PAS – Políticas Alimentares Sustentáveis
Projeto cofinanciado pela União Europeia e Instituto Camões, e implementado pela ACTUAR – Associação para a Cooperação e o Desenvolvimento, ADAPPA – Associação para Desenvolvimento Agro-Pecuário e Protecção de Ambiente e IMVF – Instituto Marquês de Valle Flor. Implementado desde 2019, o projeto tem como objetivo contribuir para a boa governação multi-atores para a segurança alimentar e nutricional e para o desenvolvimento sustentável e inclusivo em São Tomé e Príncipe, contribuindo ainda para a realização do direito humano à alimentação e nutrição adequadas. Nesse sentido, visa reforçar a participação da sociedade civil e as suas capacidades para discussão e monitoramento da implementação de políticas públicas com impacto no acesso e gestão dos recursos naturais, redução da pobreza e da insegurança alimentar e nutricional.

Plataforma “Alimenta CPLP!”
Lançada em Abril de 2020, a Plataforma Alimenta CPLP! visa fortalecer a troca de informação, intercâmbios de conhecimentos e construir ações para mitigação dos impactos da crise alimentar ampliada pela pandemia da Covid-19 na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), envolvendo os governos, o setor privado, a academia, a sociedade civil e parceiros para o desenvolvimento. Mais informações disponíveis em https://alimentacplp.com/. 

Rede das Margaridas da CPLP
Rede regional que atua como facilitadora para apoiar a participação das lideranças de mulheres rurais nos espaços de governança e no sentido de visibilizar, articular e fortalecer a luta pelos direitos das mulheres como medida prioritária para a erradicação da pobreza e estratégia para o desenvolvimento socioeconómico efetivo sustentável. A Rede das Margaridas visa alertar para a urgência e papel prioritário das mulheres rurais para a realização do Direito Humano à Alimentação e Nutrição Adequadas (DHANA) e para a promoção da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. A rede integra o Mecanismo para a Facilitação da Participação da Sociedade Civil no CONSAN-CPLP (MSC-CONSAN).